[conversa de editor] Parece fácil, mas não é: a arte de encontrar um livro em uma livraria

Gustavo Faraon*

Pode parecer que é exagero, mas muitas vezes encontrar um livro específico nas livrarias – se ele não for o best-seller da vez, com centenas de exemplares empilhados na entrada da loja, é claro – pode acabr se tornando uma tarefa das mais penosas. Isso porque cada rede tem seu próprio sistema de organização, e não raro eles mais atrapalham do que auxiliam seus clientes na busca pelos títulos.

Uma delas (a Saraiva), além da divisão tradicional entre autores de ficção nacionais e internacionais, criou uma subdivisão para livros policiais de ficção. Em algumas praças, como Porto Alegre, há ainda uma seção dedicada a autores locais. Nesse cenário, o leitor que busca um determinado livro de ficção policial escrito por um autor local terá que percorrer ao menos três seções na livrarias ante de encontrar o que busca. Isso caso a edição não tenha sido impressa em um formato menor que o tradicional 14×21 cm, pois então ainda é possível que o mesmo esteja junto dos pocket books.

Esse tipo de confusão, é claro, não é exclusividade de nenhuma rede. Já encontrei livro de crônica na área destinada a turismo na Travessa, no Rio de Janeiro, e uma antologia de contos de autores lusófonos junto de gramáticas e dicionários, na Livraria da Vila, em São Paulo.

Nessas horas, tudo que o editor pensa é: para que diabos então serve a ficha catalográfica, senhores?

* Gustavo Faraon é editor da Dublinense e da Não Editora.